O auditório do Museu Nacional de Etnologia (MNE) encheu-se com mais de 120 pessoas da comunidade antropológica para a celebração do Dia Mundial da Antropologia e Jornadas Europeias da Antropologia, no dia 19 de fevereiro de 2026.
A programação incluiu:
. Entrega dos Prémios APA 2025
. Conferência Anual Raul Iturra, proferida pela antropóloga Eglantina Monteiro
. Tomada de posse dos novos corpos gerentes
. Porto de Honra e convívio
A nova presidente da APA, Joana Lucas, deixou a seguinte mensagem em nome da lista que encabeçou:
Antropologia com Futuro
A Lista Z reúne antropólogas/os com diferentes perfis e áreas de atuação em antropologia — desde a diversidade de temas até aos variados contextos de intervenção — integrando várias pessoas com percursos profissionais distintos, grande parte das quais marcada pela experiência da precariedade e da incerteza laboral. Somos um grupo de pessoas comprometidas com o papel da antropologia na sociedade e com a vida associativa para lá da disciplina. Acreditamos que a APA deve afirmar-se enquanto aquilo que é: uma associação profissional, promotora da presença e do reconhecimento da antropologia no espaço público, mas também como uma voz activa e crítica perante as questões sociais, políticas e ecológicas da actualidade.
Nos últimos anos, as ciências sociais e humanas têm enfrentado desafios significativos, tanto em termos de financiamento quanto de reconhecimento social e académico. A Antropologia, como disciplina central para o estudo das sociedades, culturas e relações humanas, não escapa a este panorama crítico, mas também se encontra numa posição estratégica para contribuir e influenciar os debates públicos, tanto em Portugal como no contexto global.
Este contexto sublinha a urgência de reforçarmos a presença pública da Antropologia e de defender políticas que reconheçam o seu papel na produção de conhecimento crítico e aplicado. Esta tendência de desvalorização tem de ser contrariada através da demonstração clara da relevância social do conhecimento antropológico — nas escolas, nas políticas públicas, nos museus, nas ONG’s, nas empresas, nas associações, etc. Cabe à APA fomentar redes colaborativas e visibilizar a diversidade de práticas e impactos da disciplina.
Apesar dos desafios, há sinais de resistência e inovação. A Antropologia, através da pesquisa aplicada em políticas públicas, do engajamento com movimentos sociais ou do trabalho em diferentes sectores de atividade, mostra como a disciplina se pode reinventar e reconquistar espaço social. Globalmente, a valorização da diversidade cultural, o debate sobre justiça social e a necessidade de compreender crises (humanitárias, migratórias, ecológicas) reafirmam a importância das ciências sociais.
A crise, portanto, é também uma oportunidade para refletir sobre o papel dessas disciplinas na construção de sociedades mais justas e inclusivas.
Viva a APA! Viva a Antropologia!
A APA agradece, antes de mais, a tod@s quantos contribuíram para este dia — em particular ao MNE pelo acolhimento, aos parceiros e convidados institucionais pela sua presença, e aos mestres de cerimónia, Frederico Delgado Rosa e Simone Frangella, pela condução do evento.
