Boletim APA | Notícias dos corpos sociais sobre o plano de trabalhos para o mandato 2026-2028

grupo de pessoas que compõem os órgãos sociais da APA

No dia 27 de junho, os órgãos sociais da APA reuniram-se nas Caldas da Rainha para refletir sobre o contributo que este mandato pretende dar à comunidade antropológica portuguesa. O encontro permitiu identificar como prioridades o reforço da dimensão coletiva da APA, a articulação entre os diferentes membros e a construção de um sentido de trabalho comum. Partindo de forças como a sua história, o reconhecimento nacional e internacional, a longevidade do Congresso, a rede de contactos e parcerias, a diversidade de percursos dos atuais órgãos sociais, a horizontalidade interna e a competência do secretariado, a APA reconhece simultaneamente a necessidade de se tornar menos exclusivamente académica, mais aberta à sociedade e mais presente no espaço público.

Ao longo da jornada de sábado, os exercícios de reflexão e os diálogos permitiram traçar um diagnóstico estratégico para a APA, definindo como prioridades a maior visibilidade externa da antropologia, a descentralização geográfica da associação, a aproximação aos estudantes, a presença no ensino secundário e o apoio à inserção profissional dos recém-formados. Paralelamente, identificaram-se vários caminhos de desenvolvimento- como o estabelecimento de parcerias institucionais, a aproximação aos órgãos de comunicação social, a dinamização de ações de formação, encontros e debates, e o mapeamento de antropólogos e antropólogas com trajetórias profissionais fora do meio universitário-, bem como constrangimentos estruturais que urge enfrentar, nomeadamente o baixo reconhecimento público da disciplina, a fraca exposição mediática e editorial, as dificuldades de mobilização associativa, a quebra de estudantes, as incertezas em torno da AI2 e da FCT, e a difícil obtenção do Estatuto de Utilidade Pública.

Neste contexto, o futuro da APA deverá passar pela transformação destas fragilidades em linhas concretas de ação, reforçando os mecanismos de participação interna, a comunicação pública, a presença descentralizada e as relações com instituições académicas, culturais, educativas e profissionais. A discussão de temas como colonialismo, antropologia e racismo surge, neste quadro, como uma dimensão fundamental para afirmar uma antropologia crítica, pública e socialmente implicada, capaz de representar a diversidade de práticas antropológicas existentes no país.


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