“Os grupos de pesquisa, coletivos acadêmicos e instituições abaixo assinados vêm a público manifestar apoio, solidariedade e reconhecimento à trajetória da antropóloga Sheila Brasileiro, profissional do Ministério Público Federal, cujo trabalho é amplamente respeitado e reconhecido há décadas junto aos povos e comunidades tradicionais.
Fomos informados de ação da Polícia Federal, corrida ontem (14/05/2026), no âmbito da denominada Operação Sombra da Mata, que realizou mandado de busca e apreensão na residência da referida antropóloga, com a retirada de seus equipamentos pessoais e materiais de trabalho.
Recebemos com profunda preocupação e indignação a notícia de que tal medida estaria fundamentada em alegações de envolvimento da antropóloga na organização de processos de retomada territorial. Entendemos que tais acusações desconsideram o papel legítimo, técnico e constitucional da atuação antropológica, especialmente quando exercida no âmbito do Ministério Público Federal, cuja função inclui a defesa de direitos coletivos e dos povos indígenas e comunidades tradicionais.
A tentativa de criminalização do exercício profissional da antropologia representa grave precedente, ao ameaçar não apenas uma trajetória individual, mas também o conjunto de práticas científicas e institucionais comprometidas com a produção de conhecimento, a garantia de direitos e a mediação qualificada de conflitos territoriais.
Reafirmamos que o trabalho desenvolvido por antropólogas e antropólogos junto aos povos tradicionais é pautado por princípios éticos, científicos e legais, contribuindo historicamente para a efetivação de direitos assegurados pela Constituição Federal de 1988 e por tratados internacionais ratificados pelo Brasil.
Dessa forma:
•Manifestamos solidariedade irrestrita à antropóloga Sheila Brasileiro;
•Reiteramos o reconhecimento de sua trajetória profissional e compromisso com os direitos dos povos e comunidades tradicionais;
•Repudiamos quaisquer iniciativas que visem intimidar, constranger ou criminalizar o exercício legítimo da antropologia;
•Defendemos a garantia das prerrogativas profissionais e institucionais necessárias ao trabalho técnico-científico no âmbito das instituições de atuação profissional dos/as antropólogos/as
•Alertamos para os riscos institucionais e democráticos decorrentes de ações que fragilizam a atuação de profissionais vinculados à defesa de direitos coletivos.
Por fim, nos somamos às vozes da comunidade científica, acadêmica e dos movimentos sociais na defesa do livre exercício da pesquisa, da atuação técnica qualificada e dos direitos dos povos e comunidades tradicionais.”
Mais informação e tomada de posição da Associação Brasileira de Antropologia aqui:
