
Em parceria com o Museu Nacional de Etnologia, a Associação Portuguesa de Antropologia (APA) organiza a celebração do Dia Mundial da Antropologia & Jornadas Europeias da Antropologia, no dia 19 de fevereiro de 2026, às 15h00, com entrada livre.
O programa inclui a Conferência Anual Raúl Iturra, proferida por Eglantina Monteiro e intitulada “Manaus 1997 ou a eficácia dos objectos: A experiência inédita de retorno da colecção amazónica de Alexandre Rodrigues Ferreira”.
“A exposição Memórias da Amazónia – Expressões de Identidade e Afirmação étnica (Manaus, 1997) foi a experiência mais empolgante que eu vivi enquanto antropóloga-curadora ao lado de José António Fernandes Dias, e que corresponde a um momento absolutamente inédito na história das colecções etnográficas em Portugal: o retorno às terras de origem de uma parte muito importante dos artefactos colectados no Amazonas por Alexandre Rodrigues Ferreira [1783-1792] , património da Universidade de Coimbra e da Academia de Ciências de Lisboa. Falarei do envolvimento das lideranças indígenas na organização de um vasto programa de actividades paralelo à exposição, do impacto político e emocional da exposição junto das populações indígenas, que reivindicam ser os descendentes dos que produziram e usaram aqueles objectos, mas também dos caboclos, dos Manauaras ou dos Amazoninos; da carta que a COIAB – Coordenação das Organizações Indígenas do Brasil – enviou ao Presidente Jorge Sampaio reivindicando a permanência do espólio em Manaus, que não teve resposta, e da ausência de impacto de tudo isto em Portugal para lá da academia.”
(Eglantina Monteiro)
Eglantina Monteiro [Porto 1955], antropóloga e empresária, vive e trabalha em Castro Marim. Entre 1984-1999, foi professora de antropologia de arte na FBAUP; entre 2000-2007, lecionou antropologia cultural nos cursos de Património e Sociologia da Universidade do Algarve; a partir de 1992, desenvolveu um trabalho curatorial regular, articulando estéticas de diferentes universos culturais e em diferentes instituições; em 2008, foi cofundadora da Companhia das Culturas – um ecoturismo em contexto de agricultura biológica; em 2019, criou a 8 9 5 0, a primeira marca de amenities – produtos de higiene pessoal de hotelaria – natural e isenta de plástico.
