Seminário GI Identidades, Culturas e Vulnerabilidades (ICS-ULisboa) com o tema “Literatura oral timorense: Nada acontece por acaso, tudo tem uma razão de ser!”.
A sessão será no dia 5 de Abril, sexta-feira, entre as 13h40 e as 14h50m na Sala 2 do ICS, e estará a cargo do professor e investigador Luís Costa.
Nota biográfica: Luís Costa – natural de Fatu-Berliu, Timor-Leste. Professor de tétum e cultura timorense, investigador, autor de obras sobre a língua tétum e cultura de Timor, como Dicionário de Tétum-Português (2000), Guia de Conversação Português-Tétum (2001), Borja da Costa: Selecção de Poemas (2009), Guia de Conversação Português-Tétum (2012), Língua Tétum: Contributos para uma Gramática (2015) e Ué-Lenas – Lenda de Timor Lorosa’e (2018).
Resumo: Literatura oral é uma expressão utilizada para designar narrativas transmitidas oralmente pelas pessoas com o objetivo de explicar acontecimentos, considerados misteriosos ou sobrenaturais, ou até fenómenos da natureza, que não são, muitas vezes, compreendidos. Regista-se, por isso, uma mistura de factos reais com imaginários e uma mistura da estória e da fantasia com os personagens que realmente existiram. No campo mais específico da poesia oral, os exemplos ocorrem durante momentos de trabalho comunitário, por exemplo, em que os movimentos corporais, com ritmo e cadência, complementam os signos verbais usados para contar uma história ou lançar uma adivinha. Porém, o emissor ou contador destas narrativas não narra tudo o que sabe pois, segundo a crença, quem narra a estória ou lenda na sua totalidade pode morrer ou sofrer outras vicissitudes. Esta literatura engloba discursos anónimos, transmitidos oralmente ao longo do tempo, que fazem parte de um património cultural e colectivo. É a comunidade, anónima e intemporal, que se encarrega da transmissão desse património, pela voz de um conjunto indefinido de sujeitos individuais.
