Como percorrer o labirinto, evitando ser engolido? Ou: Limites colocados à investigação antropológica em contextos institucionais

Seminário CRIA com Cristina Santinho

23 de março, 18h-20h | Aud. Afonso de Barros, Ala Autónoma | ISCTE-IUL

Santinho cartaz

Resumo

Como se estabelece a relação entre o processo de pesquisa e a produção de conhecimento, em contextos institucionais pertencentes ao Estado, marcados por códigos dominantes e assimétricos, em relação ao saber antropológico? Como resolver o “desconforto” face aos obstáculos à investigação apresentados pelos interlocutores, garantindo, em simultâneo, a ética da antropologia, a investigação em profundidade e a publicação dos resultados, quando existem diferenças de entendimento quanto aos mesmos?
A pesquisa antropológica, em territórios hegemónicos, pode criar tensões e suspeitas mútuas que resultam numa constante negociação entre o que pode, ou não, ser investigado no campo. Incorporar essas tensões provenientes de diferentes racionalidades e estudá-las enquanto fontes de conhecimento e relação, em arenas fortemente politizadas, passa a ser, possivelmente, uma das soluções para fazer antropologia, em contextos marcados pelo poder. Haverá outras? O que se perde, o que se ganha?
Nota: O debate que aqui se propõe resulta de uma etnografia multi-situada, em dois contextos aparentemente opostos. De um lado, o trabalho de campo realizado entre refugiados “utentes” da Segurança Social. Do outro, técnicos e dirigentes desta instituição, responsáveis políticos pela inserção dos mesmos, em Portugal.


Nota biográfica

Investigadora de pós-doutoramento no CRIA desde Abril de 2013, com o projeto “Refugiados: vulnerabilidade, resiliência e inclusão numa sociedade democrática, em contexto de crise socioeconómica”, financiado por bolsa da FCT. Doutorada pelo Departamento de Antropologia, ISCTE/IUL, com a tese “Refugiados e requerentes de asilo em Portugal: contornos políticos no campo da saúde”. Pós-graduação em Global Mental Health: Trauma and Recovery (Harvard Program in Refugee Trauma). Investigadora em diversos projetos CRIA: “CARE: care as sustainability in crisis situations”; “T-Share, Transcultural Skills for Health and Care”, Exposição “Woundscapes”. Colabora em projetos internacionais sobre imigração, sendo o mais recente: “Migrations, Integration and Co-Development in Europe”, financiado pela União Europeia.

Mais informações: http://cria.org.pt/site/seminarios.html

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