29 Nov, às 18h | Colóquio Pluralizando o Antropoceno, “Contra o Terrícidio: Fazendo os Direitos da Natureza Pluriversalmente”

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Nosso Colóquio Pluralizando o Antropoceno II continuará na próxima semana com Arturo Escobar e Marisol de la Cadena. 

 

 
“Contra o Terrícidio: Fazendo os Direitos da Natureza Pluriversalmente”
 
Arturo Escobar (UNC-CH) e Marisol de la Cadena (UC Davis)
 
29 de Novembro (Segunda-Feira), 18:00 – 19:30 (GMT Horário de Lisboa)
 
Moderador: Gonçalo Santos (CIAS/ Sci-Tech Asia/ Universidade de Coimbra)
 
 
Resumo
Terricídio, um termo cunhado por mulheres Mapuche, nomeia a época atual da Terra: uma em que alguns humanos possuem agora a capacidade de destruir o mundo através de suas ações. Apesar de se relacionar com nomenclaturas científicas e feministas da mesma época, o terricídio coloca explicitamente em primeiro plano as ações de mundos que não se submetem à divisão ontológica entre natureza e humano em sua defesa contra a destruição. Os atores nas histórias do que chamamos o “antropo-não-visto” (anthropo-not-seen) não são nem humanos nem natureza mas ambos simultaneamente; eles pluralizam tanto o “humano” quanto a “natureza” tornando-os não apenas o mesmo. Propomos a noção de zonas de contato pluriversais como uma analítica contra o terricídio, uma analítica que proporciona alianças políticas através das mesmas divisões onto-epistêmicas que fizeram o Antropoceno. Os “direitos da natureza” podem ser uma dessas zonas de contato, um sítio onto-epistêmico para alianças que podem transformar a atual destruição Antropocénica-Capitalocénica do planeta – o terricídio – numa oportunidade de transição para o que os Zapatistas chamam de “um mundo de muitos mundos”.  
 
Sobre os Oradores
Arturo Escobar é um investigador-ativista de Cali, Colômbia, interessado nas lutas territoriais contra o extrativismo, as transições pós-desenvolvimentistas e pós-capitalistas, e o design ontológico. Foi professor de antropologia e ecologia política na Universidade da Carolina do Norte (UNC), em Chapel Hill, até 2018, e atualmente está vinculado aos programas de doutoramento em Design e Criação (Universidad de Caldas, Manizales, Colômbia) e em Ciências Ambientais (Universidad del Valle, Cali). Durante os últimos vinte e cinco anos, colaborou com organizações e movimentos sociais afro-colombianos, ambientalistas e feministas na Colômbia. O seu livro mais conhecido é Encountering Development: The Making and Unmaking of the Third World (1995, 2ª edição 2011). Os seus livros mais recentes são: Designs for the Pluriverse: Radical Interdependence, Autonomy, and the Making of Worlds (2018); Pluriversal Politics: The Real and the Possible (2020); e Designing Relationally: Making and Restor(y)ing Life, com Michal Osterweil e Kriti Shama (no prelo).
 
Marisol DE LA CADENA foi treinada como antropóloga no Peru, Inglaterra, França e nos Estados Unidos. O seu trabalho ocupa diversas interfaces: aquelas entre STS e não-STS, entre a grande e a pequena política (e o que excede ambas), entre história e o a-histórico. Interessa-se por conceitos etnográficos – aqueles que diluem a distinção entre o que chamamos teoria e o empírico e que podem indicar os limites de ambos. O seu livro mais recente Earth Beings. Ecologies of Practice Across Andean Worlds (2015) baseia-se nas conversações com Mariano e Nazario Turpo que incluíram Ausangate, um ser da terra (e uma montanha) que preside sobre todas as paisagens vitais em Cuzco, Peru. O livro reflete sobre as intrigantes encruzilhadas onde a política moderna (e a história) e os seres-da-terra (e o a-histórico) se encontram e divergem. É uma etnografia preocupada com a concretude da incomensurabilidade e a profusão de eventos do a-histórico. A pesquisa etnográfica atual de Marisol centra-se em ranchos de gado, fazendas camponesas, matadouros, feiras de gado, laboratórios genéticos de criação de raças, e escolas de veterinária na Colômbia. Neste contextos Marisol envolve-se com práticas e relações entre pessoas, vacas, plantas e coisas. Pensando sobre interfaces bio/geo divergentes, ela está interessada nas “coisas” que fazem a vida e a morte através de paisagens de laboratório e paisagens naturais num país que se encontra ele próprio numa luta entre guerra e paz.  

 

 
Data:
29 de Novembro, 2021
 
Time:
18:00 – 19:30pm (GMT Horário de Lisboa)
 
Programa Completo do Pluralizando o Antropoceno II AQUI.
 
Inscrição:
Todos sejam bem vindos, mas é necessário se inscrever!
Inscrições nesse link.

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