Com pesquisa de campo no Congo, no Brasil, em Cuba e em Portugal, Ana Stela tinha mestrado e doutoramento em Semiótica e Linguística pela Universidade de São Paulo, leccionou na Universidad de La Habana, em Cuba, fez pos-doutoramento FCT no ICS- ULisboa e manteve pesquisa ativa nos quilombos do Maranhão, cuja Universidade Federal integrava como docente e da qual se aposentou por motivos de saúde. Regressando a Portugal, dedicou-se à antropologia pública e enquanto investigadora do CRIA prosseguiu com pesquisa nos terreiros afro-brasileiros em Portugal e no Brasil e nas religiosidades de matriz centro-africana em Cuba; foi documentarista premiada, activista feminista e anti-racista, devota do candomblé e da santería e cantora na banda lisboeta Congo Stars. Fundou e presidiu à Associação Kazumba, direccionada para as questões da migração, o anti-racismo e as políticas públicas. Tinha actualmente diversos projectos financiados pelo Fundo Europeu das Artes, a ENAR – European Network Against Racism e a Direcção Geral das Artes do Ministério da Cultura, como o CINEXU – Cinema Afro-centrado, VIBE – Voices of Iberia in Black Europe, e BILONGO – Botânica em uso nos terreiros afro-portugueses e na diáspora.
Nota de Pesar – Ana Stela Cunha [1974-2023]
Comentários fechados em Nota de Pesar – Ana Stela Cunha [1974-2023]
Lamentamos a perda inesperada e precoce da nossa colega Ana Stela Cunha, que ainda há poucos meses colaborou com a APA como coordenadora de um painel no congresso de Évora.

