Dia Internacional de Luta Contra a Discriminação Racial: antropologia antirracista em Portugal

No dia 21 de março celebra-se o Dia Internacional de Luta Contra a Discriminação Racial, assinalando-se assim a data em que ocorreu o Massacre de Sharpeville, na África do Sul, em 1960. A APA aproveita a efeméride para lançar um convite a visitar os lugares de pesquisa dedicados a este tema nos mais recentes trabalhos antropológicos sobre o território português.

O jornal Público anunciou, na sua capa do dia 18 de março de 2024, que um estudo antropológico inédito em Portugal expõe viés racial de mortes às mãos da polícia. Com uma pesquisa dedicada às interseções entre a habitação e processos de racialização, a antropóloga e sócia da APA, Ana Rita Alves, demonstrou na sua tese de doutoramento aquilo que alguns relatórios internacionais já haviam denunciado: a violência policial em determinados territórios é socialmente legitimada, colocando pessoas negras e ciganas em muito mais alto risco de serem vítimas de violência estatal. Em entrevista ao Público desse dia, a investigadora do CES conta como cruzou e analisou dados oficiais com trabalho de campo em bairros periféricos, e como tem evoluído a sua investigação sobre bairros de autoconstrução, políticas de realojamento e processos de racialização.

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Ana Rita Alves (CES – UC) é Antropóloga e doutora em Direitos Humanos nas Sociedades Contemporâneas pela Universidade de Coimbra, com a tese “Beyond Loss: Race, Displacement and the Political”. Atualmente é coordenadora do projeto “DAM – Memória Africana Digital” promovido pela Associação Batoto Yetu Portugal. Ao longo da última década, Ana Rita tem produzido conhecimento crítico sobre racismo institucional, políticas públicas, território e violência política em Portugal, em diálogo com associações e coletivos periferizados de bairros auto-produzidos e de realojamento. É autora do livro Quando ninguém podia ficar: racismo, habitação e território (Tigre de Papel, 2021).