CHAMADA PARA SUBMISSÃO DE ARTIGOS PARA O DOSSIÊ “PATRIMÔNIOS ALIMENTARES: PROCESSOS, TERRITORIALIDADES E NOVOS MERCADOS”

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VIVÊNCIA: REVISTA DE ANTROPOLOGIA

PATRIMÔNIOS ALIMENTARES – PROCESSOS, TERRITORIALIDADES E NOVOS MERCADOS

Coordenação de: Julie A Cavignac – UFRN; Joana Lucas – CRIA/NOVA FCSH;  Paula Balduino de Melo – IFB

É a partir de 2003, com a criação da Convenção da UNESCO para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial, que os sistemas alimentares e culinários, os conhecimentos, os processos de produção e as técnicas associados à alimentação são objeto de ações e de políticas de preservação. Se há relativamente poucas preparações alimentares e cozinhas regionais classificadas pelos órgãos competentes a nível internacional, há muitos pratos considerados como patrimônios pelos seus detentores, em particular entre os Povos e Comunidades Tradicionais, nos espaços rurais onde as comidas festivas ou regionais se tornam emblemas culturais (por exemplo as comidas de milho, sinônimos de São João no Nordeste ou as sardinhas assadas, em Lisboa). Porém, as ações de patrimonialização nem sempre contextualizam  as situações econômicas e sociais difíceis que correspondem ao consumo dos alimentos e muitas vezes falta uma análise dos contextos sociais e históricos em que foram criados e consumidos. Por outro lado, a urbanização das sociedades contemporâneas, a main-mise da agroindústria na comercialização de alimentos, as crises, os perigos e os escândalos sanitários e ecológicos têm como resposta a mobilização de consumidores conscientes que militam para uma alimentação sustentável, saudável e a preço justo; preocupação geralmente associada a um apelo saudosista para comidas “autênticas” produzidas num território agrícola  cada vez  mais afastado dos consumidores e que é idealizado. Concomitantemente, agricultores se organizam em coletivos e cooperativas para evitar intermediários e criar circuitos comerciais curtos. Criou-se assim um mercado para uma alimentação mais “natural”, com a venda direta de produtos agroecológicos que são também alimentos-patrimônios. Constata-se então uma certa banalização da ideia de patrimônio alimentar, com a mercantilização dos produtos de terroir, em particular nas zonas turísticas, provocando uma gourmetização desses alimentos e uma recuperação dos marcadores da cultura alimentar “tradicional” ou “popular” pelas elites locais (cf. POULAIN, Jean-Pierre. Sociologias da alimentação, 2002).

Queremos avaliar memórias, conhecimentos, práticas, processos e discutir, de forma comparativa e crítica, os embates e as consequências da patrimonialização dos sistemas alimentares e das criações culinárias, em particular as das populações vulneráveis e das classes trabalhadoras. Aproveitaremos esta oportunidade para abrir o debate sobre o aprimoramento de produtos locais ou “típicos” que muitas vezes se referem a uma realidade do passado da qual as gerações anteriores tiveram que se distanciar: em um mundo cada vez mais urbanizado e onde os sistemas de produção tradicionais são ameaçados por poderosas indústrias de alimentos, quem ganha com a patrimonialização? Quais são os embates das políticas culturais e das ações de patrimonialização de preparações culinárias? Finalmente, discutiremos os processos culinários fora das agências oficiais e associados a estratégias de sobrevivência; questionaremos, no final, se o patrimônio contribui para produzir e reforçar desigualdades.

Assim, gostaríamos de receber contribuições de caráter antropológico, ensaios etnográficos que analisem patrimônios alimentares; territorialidades locais, interações socioecológicas e sistemas alimentares; dinâmicas de transformação das culturas alimentares e processos culinários; novos mercados e circuitos de comercialização de alimentos-patrimônios; a alimentação como marcador de diferenças sociais e culturais, dentre outras temáticas relacionadas. 

As/os autores/as devem submeter seus textos, seguindo normas do periódico, por meio do portal da própria revista disponível AQUI até o dia 15 de novembro de 2020. O número está previsto para o primeiro semestre de 2021. A revista Vivência  publica textos em português, francês, espanhol e inglês.

Para mais informações, enviar mensagem para o e-mail: vivenciareant@yahoo.com.br indicando como assunto da mensagem o tema do dossiê: “Patrimônios alimentares- processos, territorialidades e novos mercados”. É indispensável que as/os autores que observem as normas da Vivência [disponíveis AQUI] antes de submeterem as suas propostas.

 
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