“Arquitetura e raça: a casa tradicional portuguesa nos trópicos” (Inácio Dias Andrade)

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“Arquitetura e raça: a casa tradicional portuguesa nos trópicos”
Inácio Dias Andrade
Investigador, Departamento de Antropologia da Universidade de São Paulo

1 de Março 2019, 13.40h – 14.50h
Sala Polivalente, ICS-ULisboa

Coordenação: Luísa Coutinho, Nuno Domingos e Patrícia Ferraz de Matos (ICS-ULisboa)


Resumo: Recentemente, o conjunto arquitetônico das ex-colônias portuguesas vem sendo celebrado como obra de um grupo de profissionais autônomos que, à revelia do regime ditatorial salazarista, buscou criar uma utopia moderna em África. Entretanto, por detrás das supostas diretrizes humanistas de seus idealizadores, visões particulares sobre raça e a percepção de que as colônias eram ambientes de promiscuidade e perigo forjaram os modos pelos quais os técnicos coloniais definiram os estilos arquitetônicos hoje celebrados. Durante o período tardo-colonial, a incessante busca por um estilo tradicional português em África, revela uma preocupação comum aos administradores metropolitanos: o medo de que, em meio a um ambiente inóspito, os colonos europeus perdessem seus hábitos civilizados e, por fim, sua própria branquitude. Para administradores e arquitetos coloniais, elementos estilísticos da casa tradicional portuguesa – e, posteriormente, da estética modernista – deveriam funcionar como uma âncora civilizacional para preservação da sociedade europeia nas colônias africanas. Desse modo ao abordar a ideia da “casa colonial” em suas diferentes interpretações históricas, procura-se entender como o espaço íntimo se tornou lócus privilegiado para a reprodução do espaço colonial português e das relações nele existentes.

Nota biográfica: Inácio Dias de Andrade é doutor em Antropologia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde defendeu a tese “’Tem um espírito que vive dentro dessa pele’: feitiçaria e desenvolvimento em Tete, Moçambique”. Atualmente é pós-doutorando do Departamento de Antropologia Social da Universidade de São Paulo (USP) onde desenvolve a pesquisa “Uma modernidade alternativa? Arquitetura, urbanidade e colonialismo em Lourenço Marques no período tardo-colonial”.   


   

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